<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28620716</id><updated>2011-04-21T20:20:33.367Z</updated><title type='text'>Indelével</title><subtitle type='html'>adj.2gén. que não se pode delir ou apagar; 2 indestrutível; 3 [fig.] inesquécivel (Do lat. indelebîle, «id.»)

Apesar da brisa que o tempo sopra e atenua os dias. Tudo permanece. Durável. Eterno. Imortal. Inapagável. Indissipável. Inextinguível. Permanante. 

Para sempre.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tânia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10246175055867267211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28620716.post-115073752764644367</id><published>2006-06-19T17:14:00.000Z</published><updated>2006-06-19T17:18:47.663Z</updated><title type='text'>(des)equílibrio</title><content type='html'>Trancou a porta e desceu. Só a memória lhe permitia travar a desaparição. Ou o medo que sentia dela. Olhou o tempo suficiente para todos os pormenores, catalogou os cheiros e marcou-os na mente. Desceu cada degrau com o olhar fixo, com a segurança de quem conhece o que pisa. Já não era a menina que subia as escadas a correr com a mãe, lá mais atrás, a segurar a mala do fim-de-semana nos avós. Hoje, era ela quem descia, cada degrau, com o olhar fixo, e uma mala na mão para a mãe. &lt;br /&gt;            Dentro do carro o João esperava-a de cigarro aceso. Não esperava nenhum conforto, não esperava nada daquele rosto impávido, daquelas mãos que um dia se sujaram na areia nas desforras do berlinde. Bateu com a porta do carro. Não disse uma palavra e não aguardava nenhuma em troca. Pousou as mãos no colo e olhou para o relógio. Queria impacientemente ouvir o motor a trabalhar, que algum barulho quebrasse aquele silêncio, também já ele mórbido. Um dedo tocou-lhe na cara. Virou lentamente a cabeça e olhou nos olhos do irmão.&lt;br /&gt;- O que foi isto? – perguntou ele.&lt;br /&gt;- Tocaste-me.&lt;br /&gt;- Sabes porquê?&lt;br /&gt;- Sei. Queres saber se eu ainda existo, tocaste-me para me sentires, para saberes que estou aqui.&lt;br /&gt;- Não foi só isso. Queria-te mostrar a energia dos electrões dos átomos das moléculas das células da minha pele a repulsar a energia dos electrões dos átomos das moléculas das células da tua pele.&lt;br /&gt;- João, vamos embora... Por favor, o pai está à espera.&lt;br /&gt;            Fora sempre assim. Desde pequeno. Era em alturas como aquela que ia buscar as suas ciências, a exactidão de pormenores que ninguém conseguia verdadeiramente comportar. O sinal à sua frente movimentava-se em cores. Verde. Amarelo. Vermelho. A impaciência remoía-lhe na barriga.&lt;br /&gt;- Diana, ouve-me. Onde eu quero chegar é que tudo é energia, porque tu, enquanto ser definido, estás-te constantemente a movimentar, a repulsar e a criar energia, seja comigo a tocar-te, seja com o ar à tua volta. Simplesmente não sentes o ar porque é uma sensação tão constante que o teu cérebro despreza. Mas se abrires a porta, e houver uma deslocação do ar, vento, tu sentes! É como o amor da mãe… já o tínhamos desde sempre e parecia menor porque era constante, o nosso cérebro desprezava.&lt;br /&gt;            As lágrimas desciam timidamente pela face a baixo. Ela sabia que nem sempre esteve próxima, apesar de tão perto. Sabia que ele tinha razão. Era um amor tão presente que na sua inconsciência às vezes desprezava.&lt;br /&gt;- Tudo, neste Mundo, é energia. Energia é o mais elementar a que podemos chegar. Essas lágrimas que choras, Diana… o que sentes, é energia. Todo o sentimento é um desequilíbrio energético: as tuas lágrimas, o meu toque, o sorriso que era da mãe. Diz-me, o que é para ti viver?&lt;br /&gt;            A garganta estava cada vez mais seca. Aquela conversa não era suportável, não agora. Não naquela situação. Limpou as lágrimas da cara e respirou fundo.&lt;br /&gt;- Podes não ter pensado nisso. Mas independentemente do que respondesses, viver é decidir. Repara. Tu construíste toda a tua vida de acordo com o que decidiste, condicionada por algo ou alguém, mas foste TU que decidiste: vires buscar as coisas da mãe, olhares constantemente para o relógio ou para o semáforo, o curso que escolheste… Toda a tua vida é, e foi, um conjunto de decisões. E decidiste vir buscar as coisas da mãe porquê? Pelo que sentes. Pelos sentimentos que te consomem por dentro: tristeza, melancolia… Decides de acordo com o que sentes ou com o que irás sentir se decidires isso. Decidiste vir buscar as coisas dela porque sabias que te irias sentir em paz, mais perto dela.&lt;br /&gt;            A noite caía em Lisboa. A avenida que a viu crescer começava agora a descansar. E talvez apenas agora, ela começava a perceber verdadeiramente o sentido da vida. Agora que sentia o seu chão a desabar.&lt;br /&gt;- Tudo, Diana, tudo o que vive, tudo o que sente… eu, o pai, os cães vadios ou a tua gata persa… somos parasitas de energia. Agora, a mãe não é mais do que matéria desprovida desta energia. Lembras-te em Ciências? “Na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”. Nós, por sermos esses parasitas de energia, transformamos constantemente o mundo à nossa volta. Transformamos a energia criada no big bang e procedemos a alterações dos estados energéticos, a energia já existe, nós apenas a remodelamos.&lt;br /&gt;- João, onde queres chegar? Porquê isto agora?&lt;br /&gt;- O que te quero dizer é que a mais pequena decisão, toque, movimentação de energia, influi a criação de um Mundo completamente novo, é um bocado a teoria do caos: “a borboleta bate as asas em Nova Iorque e chove em Londres”. Piaget e Lavoisier disseram que “tudo tende para o equilíbrio”, os milhares de factores que constantemente te condicionam, que não podes controlar porque são consequências consequentes de outras pessoas espalhadas pelo planeta tendem a equilibrar-se e isso é…&lt;br /&gt;- Energia…&lt;br /&gt;- Isso, Diana… isso. A energia tende para o equilíbrio. Se tu te movimentas aqui, além sofre uma diferença. E Deus… Deus é isso. É a parte integrante da tua vida que tu, como individuo, não podes controlar, mas que influis também por que tomas as tuas próprias decisões e crias o mundo, também tu. Deus é a energia a tender para um equilíbrio. Se em todas as religiões do Mundo, Deus é tudo… Deus está em toda a parte, Ele só pode ser energia. Quanto mais sentires, mais perto de Deus vais estar…&lt;br /&gt;- Quando fechei a porta, gravei na minha memória todos os pedaços da mãe. As palavras, os cheiros daquela casa, reforcei reminiscências de criança… de subir os degraus dois a dois sem cansar, dos tropeções frequentes quando tentava saltar os quatro últimos. Reuni em mim a energia da mãe, João…desinquieta-me o absurdo da morte.&lt;br /&gt;            A chave rodou na ignição e entre verdes e vermelhos nada mais que o silêncio estonteante perfurou o ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28620716-115073752764644367?l=quenaosepodeapagar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/feeds/115073752764644367/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28620716&amp;postID=115073752764644367' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default/115073752764644367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default/115073752764644367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/2006/06/desequlibrio.html' title='(des)equílibrio'/><author><name>Tânia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10246175055867267211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28620716.post-114866252716196229</id><published>2006-05-26T16:47:00.000Z</published><updated>2006-05-30T23:05:13.183Z</updated><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez um dia seja eu. Que me transforme em invisível apesar do saquinho de plástico na mão. Laranjas. Um saco com laranjas cujo odor me acompanhe. Se espalhe à minha passagem e marque a minha presença. Apenas um suave e agradável cheiro a laranjas acabadas de apanhar no meio de uma chuva miudinha e de um forte cheiro a gasóleo que perdura no ar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagino-me a flutuar lentamente entre olhos que nao me vêem, corpos que não me sentem. Talvez me encoste ao de leve a alguém que passe, a alguém que espere impacientemente outro alguém que corre para ali chegar. Sentir. O quento dos corpos, o calor do olhar. Sentir a minha própria presença que de tão ténue parece que já não existe. Furar o silêncio que se instalou à minha volta com um sorriso que, por mais fugaz que seja, é meu. Só meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reparo que os meus olhos estão semicerrados, movem-se lentamente e mesmo assim não pousam em lado nenhum. Vejo as horas mas o relógio desapareceu, o meu Mundo deixou de rodar e tudo à volta são imagens difusas, perdidas numa constante mutação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chuva cai agora em gotas pesadas que batem fortemente no toldo provocando um barulho insurdecedor. Levanto a cabeça e olho em redor. Lá no fundo, com o saco de maçãs na mão, o velho apoiado na bengala desaparece na esquina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Exercício de Escrita Criativa - Continuação de um excerto do livro Azul-Turquesa, de Jacinto Lucas Pires &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28620716-114866252716196229?l=quenaosepodeapagar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/feeds/114866252716196229/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28620716&amp;postID=114866252716196229' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default/114866252716196229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default/114866252716196229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/2006/05/sem-ttulo.html' title='Sem título'/><author><name>Tânia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10246175055867267211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28620716.post-114841313457914975</id><published>2006-05-23T19:36:00.000Z</published><updated>2006-05-23T19:38:54.590Z</updated><title type='text'>Lápis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;s.m.2núm. &lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; objecto cilíndrico ou prismático, de madeira, que envolve uma haste fina de plumbagina ou outro material apropriado e que serve para escrever ou desenhar; &lt;strong&gt;2 &lt;/strong&gt;objecto com que se escreve ou risca; &lt;strong&gt;3 &lt;/strong&gt;pequena haste confeccionada com substância medicamentosa ou cosmético para aplicação tópica (Do lat. Lápis (nom.), «pedra», pelo it. Lápis, «lápis»)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-te no fundo da gaveta. És de carvão. Estás a meio. Escreves, desenhas, rabiscas, numa criação que não tem fim. Permites que apague o teu traço, que o altere, que o transforme em novas revelações. Outra e outra vez. Podes traçar negro. Marcar a folha de papel e não permitir que te apague com facilidade. Resistente. Teimoso. Ou talvez traces suave. Cinza. E com o toque incerto do dedo irás espalhar sombras pela claridade ofuscante do papel. Metamorfoseias-te consoante quem te pega. Podes dar voz à arte. Aos sonhos. Ser arma de escritores, pintores, estilistas. Esboçar casas, roupas, carros. Construir músicas, histórias, notícias. Espalhar-te em gestos largos e precisos numa folha de papel cavalinho, no caderno da escola, no guardanapo do café. Pego-te. Registamos a lista do supermercado. Escrevinhamos um pensamento na agenda. Esboçamos um desenho no canto do jornal. Rendo-me à magia que me dás de criar. Não paras e não acabas sem aviso. Partes-te. Conserto-te. Continuas. Perduras.&lt;br /&gt;És originalidade. Liberdade. De recriar. De reformular. De voltar atrás. De mudar sem se notar. Sem alguém o perceber. Numa ponta do traço, a vida. Que se desenha e escreve sem voltar ao passado, sem emendas, nem reformulações. Na outra ponta do traço, tu. A criar algo à medida do nosso desejo, do nosso ideal de perfeição. Disposto a reconsiderar os impulsos iniciais, a permitir o regresso ao passado.&lt;br /&gt;Com a tua ponta traço outro traço outra vez. Quebras-te e atiro-te para dentro da gaveta. É o teu fim, por agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28620716-114841313457914975?l=quenaosepodeapagar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/feeds/114841313457914975/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28620716&amp;postID=114841313457914975' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default/114841313457914975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28620716/posts/default/114841313457914975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quenaosepodeapagar.blogspot.com/2006/05/lpis.html' title='Lápis'/><author><name>Tânia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10246175055867267211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
